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Pureza Roubada

Livro: Pureza Roubada

Autor - Fonte: Elizabeth Mayne
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Elizabeth Mayne

Um

Maio de 841 d.C.
Feudo de Emory, Torre de Blackstone.

- Eu acho que devemos navegar até a terra dos vikings e retomar aqui¬lo que roubaram de nós. - Benjamin de Emory, primo do senhor do feudo, finalizou suas palavras jogando uma ande quantidade de argamassa ainda úmida no molde de madeira colocado aos pés do duque de Emory.
Lorde Roderick endireitou o corpo em toda a sua alta estatura. Os inteligentes olhos azuis percorreram a linha de homens que trabalhavam debaixo do sol escaldante nos vários níveis do andaime. Por fim, o olhar aguçado se deteve no rosto ainda imberbe e afogueado de Benjamin.
Todos os demais interromperam as tarefas para ouvir a r
sposta que o duque ia dar a seu único parente ainda vivo.
- Oh, sim - disse Roderick, em tom desdenhoso.
Como sempre, o fato de o primo ser incapaz de enxergar a realidade toda vez que o assunto era abordado deixou-o enfurecido. Assim, com voz tonitruante, que reverberou pela muralha de pedra em construção, respondeu para que todos os homens pudessem ouvir:
- E eu digo que o melhor ataque é a defesa. Vamos transformar Blackstone numa fortaleza inexpugnável! Pare de se lamentar pelo que não temos. O que foi per¬dido, perdido está. Vamos reconstruir tudo, recomeçar. E, diante de Deus, eu juro: viking algum porá os pés em Emory outra vez!
Roderick falou em tom tão carregado de autoridade que, por um bom tempo, ninguém se atreveu a dizer coisa alguma. Tudo o que se ouvia era o ruído das pás de pedreiro e os grunhidos dos homens esforçando-se para colocar no lugar os grandes blocos de granito de um quarto de tonelada. Dando as costas ao jovem Benjamin, o duque fez um sinal para sua própria equipe voltar ao trabalho.
Outro bloco de granito precisava ser retirado da carreta levado até a muralha em construção. Sir Michael de Lozere, o melhor amigo de Roderick, curvou-se para aju¬dá-lo a agarrar a pedra. Sir Deitert, o idoso cavaleiro germânico, inclinou-se também para ajudar, sustentando a pesada pedra pela parte de baixo. Num esforço conjunto, os três homens a retiraram da rústica carreta.
Roderick firmou o corpo forte, suportando a maior par¬te do peso, enquanto os outros dois, menores do que ele colocava o outro lado da imensa rocha no espaço a ela destinado. Constituíam um time experiente, já adaptado àquele tipo de trabalho, depois de tantas semanas. O fato de saberem o que fazer, porém, não tornava mais fácil a tarefa de encaixar milhares de blocos de granito para formar a muralha projetada por Roderick, que protegeria de ataques inimigos o castelo de Blackstone.
Cada músculo do corpo atlético do duque achava-se tenso e dolorido. Os cabelos loiros, molhados de suor, caíam-lhe em mechas encaracoladas sobre os ombros bronzeados marcados por algumas cicatrizes. Metade era esbranquiçada, resultado de ferimentos recebidos no cam¬po de batalha, e havia muito curados. Dessas, Roderick se orgulhava. As mais recentes avermelhadas e salientadas devido ao esforço físico, o deixavam envergonhado. Marcas de chicotada eram um atestado de fraqueza, E o duque de Emory jamais se considerara um homem fraco.
- Mexa-se, miserável! - resmungou, xingando a pe¬dra. O suor tornava-lhe as mãos escorregadias, coisa que não acontecia em combate, porque ficavam protegidas por guantes. - Vamos, homens! Levantem comigo! Isso empurrem! Agora!
Com profundos gemidos e em virtude de pura força bruta, os três cavaleiros conseguiram, afinal, encaixar a pedra no lugar.
Ofegante, Roderick enxugou o suor da testa com o bra¬ço. Michael de Lozere, moreno e de cabelos negros, em contraste com os loiro-dourados do duque, e sir Deitert, quase calvo, sentaram-se pesadamente à sombra, O suor escorria-lhes abundante pelas costas nuas. Num gesto cansado, Michael ergueu a mão, apontando em silêncio para algo atrás de Roderick.
Girando sobre si mesmo, o duque avistou Benjamin, seu jovem e impetuoso primo, que parecia pouco à vontade. Armando-se de paciência, Roderick perguntou:
- O que é agora, Benjamin?
Com um olhar desafiador, Benjamin começou a falar, suas palavras contribuindo para apertar ainda mais as garras de ferro que atormentavam o sofrido coração de Roderick.
- Na verdade, temível primo e senhor, só quero que saiba que a pessoa que mais falta me faz é a senhora sua mãe, minha muito querida tia.
Um gemido estrangulado escapou da garganta con¬traída do duque, A aceitação da pesada perda que sofrera ainda era algo que estava longe de ter alcançado.
Mesmo assim, manteve-se firme, recusando-se a mos¬trar fraqueza. Sua própria força de vontade mostraria ao rapaz que um homem de verdade não se deixava abater pela dor.
- Volte ao trabalho, Benjamin.
Aos dezesseis anos, Benjamin já apresentava as belas feições com as quais os homens da família Emory eram contemplados ao nascer. Ben tinha a estatura, mas não a largura de ombros ou abundância de músculos que Roderick havia adquirido em seus vinte e seis anos de vida. Por um breve instante, os olhos cinzentos de Ben encararam os azuis de Roderick com igual firmeza. Então a supremacia do duque se impôs e, aceitando o comando, o rapaz desceu a rampa para buscar mais argamassa.
Extravasando a dor Roderick explodiu numa série de ordens, levando servos e vassalos a um frenesi de atividade. Seu objetivo era muito claro: restaurar a vila, re-plantar os campos, edificar as sólidas muralhas de gra¬nito negro, extraídos dos rochedos de Blackstone.
A bela casa senhorial de madeira que fora seu lar desde a infância, jamais seria restaurada. Ele vivia agora na antiga torre de vigia, com as paredes enegrecidas pelo fogo ateado pelos invasores, mas que ainda permanecia de pé, orgulhosa. A torre era inexpugnável. Se os nórdicos se atravessem a volta, o duque os rechaçaria sem piedade.
O desejo de estar com uma mulher para aliviar a solidão e o sofrimento, estava levando os saxões ao desespero. Contudo, homem algum jamais morrera de desejo sexual, e Roderick não via motivo para ficarem lamentando o que não possuíam mais.
Os vikings haviam sido implacáveis. Só tinham deixado para trás mulheres mortas, as agonizantes, as muito feridas, ou velhas demais para serem de alguma utilidade.
Roderick entendia muito bem os sentimentos do jovem Benjamin.
A vida naquele longínquo feudo saxão seria sombria e árida sem mulheres para confortá-los e suavizar o peso do trabalho árduo. Achavam-se separados por selvagens florestas do resto da Saxônia. Desse modo, viam-se iso¬lados da riqueza do império e do contato com os habitantes dos outros feudos que o constituíam.

Apoiando as mãos sobre a pedra à sua frente, Roderick percorreu com o olhar as cabanas incendiadas da vila abaixo e os muros destruídos, que eram tudo o que restara de sua bela e antes rica propriedade. Na praça da aldeia, os sessenta e oito perdidos e solitários al¬deões, todos do sexo masculino, trabalhavam juntos, amontoando pilhas de madeira recém-cortada, ainda verde demais para ser transformada em vigas e esqua-drias para o reparo das casas.
Erguendo o olhar para o céu azul e sem nuvens, o jovem duque perguntou em silêncio a Deus o que poderia fazer para saciar a fome, as dores e o sofrimento de seus seis pajens, sete religiosos, vinte escudeiros, trinta ca¬valeiros e quase setenta aldeões.
Desde o mais idoso dos homens até o rapaz mais novo, a reclamação era a mesma, externada com mais freqüência do que ele desejaria ouvir:
- Milorde, somos saxões, e não monges. Precisamos de mulheres! - Este vinha sendo o constante refrão desde seu retorno ao lar, a chamuscada torre, no domingo de Páscoa, depois de quatro longos anos de serviço como cam¬peão dos guerreiros de Lotário, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, de que a Saxônia fazia parte.

Quatro meses depois, no dia primeiro de agosto, Ro¬derick foi obrigado a reconhecer que vinha sen...

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Comentários:
Zelia : História emocionante prende o enterres da leitura durante todo o enredo, muito bom, parabéns para a escritora Elizabeth Mayner. .
Sandra: Leio há 20 anos livros de romances e posso afirmar que esse é o melhor livro que já li. Leio ele uma vez ao ano se possível e essa história me cativa ainda hoje desde que o li pela primeira vez há 12 anos.
GABRIELLY: PUREZA ROUBADA É UM DOS MELHORES LIVROS QUE JÁ LI!!! É ÓTIMO, SENSACIONAL....!!!!.
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